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Resumos/Materiais e Tecnologias/Design industrial e desenvolvimento de produtos
PT · Secundário

Design industrial e desenvolvimento de produtos

O design industrial concebe os objetos de uso do quotidiano, articulando as necessidades humanas com os materiais, os processos e as tecnologias de fabrico disponíveis. Este tópico percorre o processo de desenvolvimento de produto — do briefing ao protótipo e à produção em série — e os requisitos (funcionais, estéticos, ergonómicos, económicos e ambientais) que orientam as escolhas do designer, distinguindo produção artesanal de produção industrial. Enquanto disciplina de opção da formação específica do 12.º ano, Materiais e Tecnologias é avaliada exclusivamente por avaliação interna (sem Exame Final Nacional), com forte componente experimental e de projeto.

4 secções·~15 min de leitura·3 competências

T·0222 / 17
Perfil de exame
Interpretação e Comunicação: relacionar necessidades e produtos, fundamentando escolhas de materiais e processosApropriação e Reflexão: perceber o papel do design na cultura material e no mundo industrialSelecionar materiais e processos de produção na conceção de artefactos
Operadores:distinguedescrevecaracterizaidentificarelacionaselecionajustificacomparaexplicacalcula

nível básico

Distinguir produção artesanal de produção industrial, nomear e ordenar as fases do processo de desenvolvimento de produto e identificar os principais tipos de requisitos.

nível avançado

Fundamentar a seleção de materiais e processos em função de requisitos concorrentes (função, ergonomia, custo e ambiente) e analisar a passagem do protótipo à produção em série, incluindo a sua viabilidade económica (custo total e ponto crítico).

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Design industrial e desenvolvimento de produtos
    • 01O que é o design industrial e o design de produto○
    • 02O processo de desenvolvimento de produto◐
    • 03Requisitos: função, forma, ergonomia, economia e ambiente◐
    • 04Do protótipo à produção em série●

4 secções · 8 pontos-chave · 2 fórmulas · 12 erros típicos

§ 01
§ 01

O que é o design industrial e o design de produto#

~3 min de leitura●○○BaseAEAE-materiais-e-tecnologias-design-produto

Produção artesanal, design de produto e design industrial

Artesanal, design de produto e design industrialTabela com 4 colunas e 5 linhas, Dados: Aspeto · Produção artesanal · Design de produto · Design industrial; Definição · fabrico manual de objetos pelo artesão · atividade projetual que concebe objetos de uso · design de produto orientado à produção industrial; Conceção e execução · reunidas na mesma pessoa · conceção separada da execução · conceção separada; execução por máquinas e linhas; Escala de produção · peça única ou pequena série · de uma peça à produção em massa · série e massa (centenas a milhões); Reprodutibilidade · baixa; cada peça varia · definida no projeto · elevada; peças idênticas e permutáveis; Exemplo · olaria, cestaria, marcenaria · conceção de uma cadeira ou embalagem · eletrodomésticos, automóveis, mobiliário em sérieAspetoProdução artesanalDesign de produtoDesign industrialDefiniçãofabrico manual de objetospelo artesãoatividade projetual queconcebe objetos de usodesign de produto orientadoà produção industrialConceção eexecuçãoreunidas na mesma pessoaconceção separada daexecuçãoconceção separada; execuçãopor máquinas e linhasEscala de produçãopeça única ou pequena sériede uma peça à produção emmassasérie e massa (centenas amilhões)Reprodutibilidadebaixa; cada peça variadefinida no projetoelevada; peças idênticas epermutáveisExemploolaria, cestaria, marcenariaconceção de uma cadeira ouembalagemeletrodomésticos,automóveis, mobiliário emsérie
Fig. 1Fig. — três noções próximas mas distintas: a separação conceção/execução e a reprodutibilidade normalizada são o que caracteriza o design industrial.

Pontos-chave

O design de produto é a atividade projetual que concebe objetos de uso, articulando função, forma, materiais, processos de fabrico e as necessidades do utilizador; caracteriza-se por separar a conceção (o projeto) da execução (a produção).
O design industrial é o design de produto orientado especificamente para a produção industrial em série ou em massa: pressupõe normalização, reprodutibilidade, divisão do trabalho e adequação da forma aos processos de fabrico. Afirma-se a partir da Revolução Industrial, com a separação entre quem projeta e quem produz.
Na produção artesanal, o artesão concebe e executa a peça manualmente; resultam objetos únicos ou de pequena série, com forte variabilidade e saber-fazer tradicional (olaria, cestaria, marcenaria). A distinção essencial face ao design industrial não é apenas a quantidade, mas a separação conceção/execução e a reprodutibilidade normalizada.
Qualquer produto resulta da conjugação da tríade forma–função–material: a forma (configuração e linguagem visual), a função (aquilo para que serve) e o material/processo (aquilo de que é feito e como é produzido). O design procura o equilíbrio entre estas três dimensões, e não apenas a aparência.
O design estabelece a ponte entre as necessidades e expetativas humanas e os objetos: interpreta necessidades existentes, responde-lhes e pode ainda sugerir novas necessidades e novos usos — dimensão simultaneamente cultural e económica do design.
Os objetos que nos rodeiam constituem a «cultura material» de uma época; o design industrial é responsável por grande parte dessa cultura, pois define a aparência, o uso e o significado dos produtos massificados.
Exemplo resolvido

Artesanal, design de produto ou design industrial?

Classifica cada situação e justifica: (A) uma olaria produz malgas de barro moldadas à mão, cada uma ligeiramente diferente; (B) uma marca encomenda a um designer o projeto de uma cadeira, depois produzida por injeção de polipropileno em 60 000 exemplares iguais.

  1. 01Identificar quem concebe e quem executa

    Em (A), o oleiro concebe e executa a peça — conceção e execução reunidas na mesma pessoa. Em (B), o designer concebe (projeto) e a fábrica executa (produção) — conceção separada da execução.

  2. 02Avaliar a escala e a reprodutibilidade

    Em (A), peças únicas com variabilidade (pequena série artesanal). Em (B), 60 000 peças idênticas e permutáveis, normalizadas pelo molde.

  3. 03Classificar

    (A) é produção artesanal. (B) é design industrial: um trabalho de design de produto orientado para a produção industrial em massa.

Resultado: (A) produção artesanal; (B) design industrial — design de produto orientado à produção em massa por injeção.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir, com critérios claros (conceção/execução, escala de produção, reprodutibilidade), produção artesanal, design de produto e design industrial, aplicando a distinção a objetos concretos do quotidiano.
  • Explicar o papel do design industrial na cultura material e na relação entre necessidades humanas e produtos, reconhecendo a tríade forma–função–material.

Erros frequentes

  • Reduzir o design a «decoração» ou «estilo». Correção: o design integra função, ergonomia, materiais, processos, produção e custo — a forma é apenas uma das suas dimensões, não a única.
  • Julgar que design industrial e produção artesanal se distinguem apenas pela quantidade produzida. Correção: a diferença essencial é a separação entre conceção e execução e a reprodutibilidade normalizada da peça, não só o número de exemplares.
  • Tratar «design de produto» e «design industrial» como sinónimos exatos. Correção: o design de produto é a atividade projetual geral (pode destinar-se a peças únicas ou a séries), enquanto o design industrial é a sua vertente orientada à produção industrial.

§ 01

Revisão ativa

Seleciona três objetos do teu quotidiano (por exemplo, uma caneca, uma cadeira e um telemóvel) e, para cada um, identifica a função, a forma e o material principal e classifica o seu modo de produção (artesanal, série ou massa), justificando.

Praticar com exercícios relacionados5 perguntas sobre este tema→

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02
§ 02

O processo de desenvolvimento de produto#

~3 min de leitura●●○PadrãoAEAE-materiais-e-tecnologias-design-produto

Ciclo de desenvolvimento de produto

Ciclo de desenvolvimento de produtoGrafo, Briefing → Investigação, Investigação → Conceção, Conceção → Desenvolvimento, Desenvolvimento → Prototipagem, Prototipagem → Produção, Prototipagem → ConceçãoBriefingInvestigaçãoConceçãoDesenvolvimentoPrototipagemProdução
Fig. 2Fig. — do briefing à produção; a seta de retorno da prototipagem à conceção mostra que o processo é iterativo.

Pontos-chave

O processo parte de um briefing — o documento que define o problema, os objetivos, o público-alvo e as restrições. O caderno de encargos formaliza as exigências técnicas, funcionais, económicas e de prazo que a solução deve cumprir.
O desenvolvimento organiza-se em fases: investigação (pesquisa de mercado, de utilizadores e de referências), conceção (geração de ideias, esboços e conceitos), desenvolvimento (detalhe técnico, escolha de materiais e processos, desenho rigoroso), prototipagem (construção e ensaio de protótipos) e produção (fabrico em série).
O processo não é estritamente linear, mas iterativo: os ensaios dos protótipos podem obrigar a regressar à conceção ou ao desenvolvimento para corrigir e melhorar a solução antes de avançar para a produção.
No design centrado no utilizador, as necessidades, capacidades e limitações das pessoas orientam todo o processo; recorre-se a observação, entrevistas e testes de usabilidade com utilizadores reais em várias fases.
A escolha de materiais e de processos de fabrico decide-se sobretudo na fase de desenvolvimento e condiciona a forma, o custo e o desempenho; forma, material e processo escolhem-se em conjunto, e não isoladamente.
Ao longo do processo produzem-se esboços, desenhos técnicos, modelos 3D (CAD), maquetas e protótipos, que comunicam e validam as decisões junto da equipa e do cliente.
Exemplo resolvido

Organizar as fases do desenvolvimento de uma garrafa reutilizável

Uma empresa quer lançar uma garrafa de água reutilizável. Associa cada atividade à fase correta do processo e indica onde ocorre a iteração: (1) inquérito a potenciais utilizadores sobre capacidade e transporte; (2) esboço de várias silhuetas e sistemas de fecho; (3) definição do material (aço inox) e do processo (estampagem); (4) construção de um protótipo e teste de estanquidade; (5) fabrico de 20 000 unidades.

  1. 01Investigação

    (1) o inquérito a utilizadores pertence à investigação — recolha de necessidades e requisitos.

  2. 02Conceção

    (2) os esboços de silhuetas e sistemas de fecho são geração de ideias e conceitos.

  3. 03Desenvolvimento

    (3) a definição do material (aço inox) e do processo (estampagem) é o detalhe técnico da solução.

  4. 04Prototipagem e ensaio

    (4) o protótipo testado quanto à estanquidade valida a solução; se falhar, regressa-se à conceção/desenvolvimento — é aqui a iteração.

  5. 05Produção

    (5) o fabrico de 20 000 unidades é a produção em série.

Resultado: 1 → investigação; 2 → conceção; 3 → desenvolvimento; 4 → prototipagem (ponto de iteração); 5 → produção.

Foco no Exame Nacional

  • Ordenar e caracterizar as fases do processo de desenvolvimento de produto, do briefing à produção, reconhecendo o seu caráter iterativo.
  • Explicar o papel do briefing / caderno de encargos e do design centrado no utilizador na definição e validação da solução.

Erros frequentes

  • Encarar o processo de design como uma sequência rígida e linear, sem retornos. Correção: o processo é iterativo — os resultados da prototipagem realimentam a conceção e o desenvolvimento.
  • Confundir o briefing com a solução final. Correção: o briefing define o problema e os requisitos (o «quê» e as restrições); a solução é o resultado do processo, não o seu ponto de partida.
  • Deixar a escolha dos materiais para o fim («primeiro a forma, depois o material»). Correção: material, processo e forma decidem-se em conjunto, sobretudo no desenvolvimento, pois condicionam-se mutuamente.

§ 02

Revisão ativa

Para o desenvolvimento de uma garrafa de água reutilizável, escreve um briefing sintético (problema, público-alvo, três requisitos e uma restrição) e indica, para cada fase do processo, uma atividade concreta que realizarias.

Praticar com exercícios relacionados5 perguntas sobre este tema→

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03
§ 03

Requisitos: função, forma, ergonomia, economia e ambiente#

~3 min de leitura●●○PadrãoAEAE-materiais-e-tecnologias-design-produto

Tipos de requisitos de um produto

Tipos de requisitos de um produtoDiagrama em árvore, 12 caminhos, Dados: Funcionais → desempenho e adequação ao uso; Funcionais → resistência e durabilidade; Estéticos → forma e cor; Estéticos → textura e identidade visual; Ergonómicos → antropometria e conforto; Ergonómicos → usabilidade e segurança; Económicos → custo de material; Económicos → custo de produção; Ambientais → reciclabilidade; Ambientais → energia incorporada; Normativos → normas de segurança; Normativos → certificação e legislaçãoFuncionaisEstéticosErgonómicosEconómicosAmbientaisNormativosRequisitos do produtodesempenho e adequação ao usoresistência e durabilidadeforma e cortextura e identidade visualantropometria e confortousabilidade e segurançacusto de materialcusto de produçãoreciclabilidadeenergia incorporadanormas de segurançacertificação e legislação
Fig. 3Fig. — os requisitos de um produto organizam-se em seis grandes tipos, todos objeto de projeto.

Pontos-chave

Os requisitos são as condições que a solução tem de cumprir; derivam do briefing e classificam-se em funcionais, estéticos, ergonómicos (usabilidade), económicos, ambientais e normativos/legais.
Requisitos funcionais: adequação ao uso, desempenho, resistência, segurança e durabilidade — o produto tem de fazer bem aquilo para que existe.
Forma e requisitos estéticos: forma, cor, textura, brilho e coerência visual (identidade). A forma comunica, distingue e valoriza o produto; segundo o princípio «a forma segue a função», resulta do uso e do processo, mas também da semântica do produto.
Ergonomia e usabilidade: a ergonomia adapta o produto ao corpo e às capacidades humanas (antropometria, esforço, alcance, conforto, segurança); a usabilidade é a facilidade e eficácia de uso. Dimensiona-se para uma gama de utilizadores, tipicamente do percentil 5 ao percentil 95, e não para um «utilizador médio».
Requisitos económicos: custo da matéria-prima, custo de processamento/produção, disponibilidade e valor percebido; o preço final tem de ser compatível com o mercado-alvo.
Requisitos ambientais e normativos: impacto ao longo do ciclo de vida (materiais renováveis/recicláveis, energia incorporada) e cumprimento de normas e legislação (segurança, marcação, materiais em contacto com alimentos).
Os requisitos são frequentemente concorrentes (mais resistência pode significar mais peso ou mais custo): projetar é gerir compromissos (trade-offs) entre função, forma, ergonomia, economia e ambiente.

Forma, função e ergonomia numa garrafa reutilizável

Forma, função e ergonomia numa garrafa reutilizávelEsquema com 7 elementos, corpo, gargalo, tampa, forma: identidade visual, função: conter e verter, ergonomia: pega à mão, material: aço inox / Tritancorpogargalotampaforma:identidade visu…função: conter everterergonomia: pegaà mãomaterial: açoinox / Tritan
Fig. 4Fig. — o mesmo objeto responde simultaneamente a requisitos de forma, função, ergonomia e material.
Exemplo resolvido

Análise de requisitos de uma chaleira elétrica

Classifica cada exigência de uma chaleira elétrica pelo tipo de requisito: (a) ferver 1,7 L de água; (b) pega que não aquece e é confortável de segurar; (c) preço de venda competitivo; (d) corpo em aço inox reciclável; (e) desligar automaticamente ao ferver; (f) linha visual coerente com a restante gama da marca.

  1. 01Funcionais

    (a) ferver 1,7 L é desempenho / adequação ao uso; (e) o corte automático ao ferver é função de segurança — ambos requisitos funcionais.

  2. 02Ergonómico / usabilidade

    (b) a pega fria e confortável adapta o produto à mão e à segurança do utilizador.

  3. 03Económico

    (c) o preço de venda competitivo é um requisito económico.

  4. 04Ambiental

    (d) o aço inox reciclável responde ao requisito ambiental (fim de vida).

  5. 05Estético e normativo

    (f) a coerência visual com a gama é estético/identidade; (e) o corte automático liga-se ainda ao cumprimento de normas de segurança elétrica.

Resultado: a → funcional; b → ergonómico; c → económico; d → ambiental; e → funcional/normativo (segurança); f → estético.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e classificar, para um produto dado, os requisitos por tipo (funcionais, estéticos, ergonómicos, económicos, ambientais e normativos).
  • Relacionar ergonomia e usabilidade com o dimensionamento do produto ao utilizador e justificar compromissos (trade-offs) entre requisitos concorrentes.

Erros frequentes

  • Reduzir os «requisitos» aos aspetos funcionais. Correção: um produto tem também requisitos estéticos, ergonómicos, económicos, ambientais e legais, todos objeto de projeto.
  • Confundir ergonomia com estética ou com conforto subjetivo. Correção: a ergonomia é o estudo objetivo da adaptação do produto ao corpo e às capacidades humanas (antropometria, esforço, alcance), com base em dados.
  • Dimensionar para o «utilizador médio». Correção: dimensiona-se para uma gama de utilizadores (por exemplo, do percentil 5 ao 95), pois o utilizador médio não representa os extremos da população.

§ 03

Revisão ativa

Elabora uma tabela de requisitos para um capacete de bicicleta, com pelo menos um requisito funcional, um estético, um ergonómico, um económico, um ambiental e um normativo, justificando cada um.

Praticar com exercícios relacionados5 perguntas sobre este tema→

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04
§ 04

Do protótipo à produção em série#

~5 min de leitura●●●AprofundamentoAEAE-materiais-e-tecnologias-design-produto

Produção artesanal, em série e em massa

Produção artesanal, em série e em massaTabela com 4 colunas e 6 linhas, Dados: Aspeto · Produção artesanal · Produção em série · Produção em massa; Volume típico · unidades a dezenas · centenas a milhares · dezenas de milhar a milhões; Ferramentas / equipamento · ferramentas manuais e simples · moldes e máquinas específicos · linhas automatizadas, moldes dispendiosos; Custo unitário · elevado · médio · baixo; Flexibilidade / personalização · muito elevada (peças únicas) · média (lotes e variantes) · baixa (produto normalizado); Investimento inicial · baixo · médio · muito elevado; Exemplo · cerâmica de autor, joalharia, protótipo · mobiliário de marca, eletrodomésticos de gama · garrafas PET, parafusos, embalagensAspetoProdução artesanalProdução em sérieProdução em massaVolume típicounidades a dezenascentenas a milharesdezenas de milhar a milhõesFerramentas /equipamentoferramentas manuais esimplesmoldes e máquinasespecíficoslinhas automatizadas, moldesdispendiososCusto unitárioelevadomédiobaixoFlexibilidade /personalizaçãomuito elevada (peças únicas)média (lotes e variantes)baixa (produto normalizado)Investimentoinicialbaixomédiomuito elevadoExemplocerâmica de autor,joalharia, protótipomobiliário de marca,eletrodomésticos de gamagarrafas PET, parafusos,embalagens
Fig. 5Fig. — os três modos de produção diferem em volume, ferramentas, custo unitário e flexibilidade.

Pontos-chave

O protótipo é uma versão funcional do produto que permite ensaiar o seu funcionamento, ergonomia e fabrico antes de investir na produção em série; distingue-se da maqueta (estudo de forma/volume à escala) e do modelo (aparência final, não funcional).
Antes da produção plena realizam-se pré-séries e séries de ensaio, que validam as ferramentas (moldes, gabaritos), os processos e o controlo de qualidade.
A produção pode ser artesanal (peças únicas ou pequenas séries, feitas à mão), em série (lotes de centenas a milhares, com moldes e máquinas específicos) ou em massa (dezenas de milhar a milhões, em linhas automatizadas e normalizadas).
A produção industrial exige normalização (dimensões e tolerâncias definidas) e peças permutáveis, o que permite montagem rápida, reparação e produção distribuída.
O custo total tem uma componente fixa F (moldes, ferramentas, ensaios) e uma componente variável c por peça (material e mão de obra): C = F + c·N. À medida que N cresce, a componente fixa dilui-se e o custo unitário desce — é a economia de escala.
Comparando dois modos de produção, existe um número de peças N (ponto crítico) a partir do qual o modo com maior investimento inicial mas menor custo variável se torna mais económico: N = F₂ / (c₁ − c₂). A escolha do modo de produção depende, assim, da tiragem prevista, do investimento disponível, do grau de personalização e dos prazos.

custo total de produção

C=F+c NC = F + c\,NC=F+cN

F é o custo fixo (moldes e ferramentas), c é o custo variável por peça e N é o número de peças produzidas.

ponto crítico (break-even)

N∗=F2c1−c2N^{*} = \dfrac{F_2}{c_1 - c_2}N∗=c1​−c2​F2​​

Número de peças a partir do qual o modo 2 (maior custo fixo F_2, menor custo variável c_2) fica mais económico do que o modo 1 (custo variável c_1, sem custo fixo).

Ponto crítico entre produção artesanal e injeção

Ponto crítico entre produção artesanal e injeçãoGráfico de artesanal, zeros em x = 0, ordenada na origem y = 0, crescente, no intervalo x de 0 a 400, Gráfico de série (injeção), ordenada na origem y = 7600, crescente, no intervalo x de 0 a 40050100150200250300350400200040006000800010000120001400016000N· = 200artesanalsérie (injeção)custo total (€)número de peças N
Fig. 6Fig. — custo total (€) em função do número de peças N: artesanal (40 €/peça) e injeção (molde de 7 600 € + 2 €/peça) cruzam-se em N* = 200; acima de 200 peças a injeção é mais económica.
Exemplo resolvido

Ponto crítico entre produção artesanal e injeção

Um objeto pode ser produzido à mão a 40 € por peça (sem custo de ferramenta) ou por injeção em molde, com um custo de molde de 7 600 € e 2 € por peça. (a) Determina o número de peças a partir do qual a injeção é mais económica. (b) Compara o custo total dos dois modos para uma tiragem de 1 000 peças e indica o custo unitário da injeção.

  1. 01Escrever os custos totais

    Artesanal (sem custo fixo): C_1 = 40·N. Injeção (molde + custo por peça): C_2 = 7 600 + 2·N.

    C1=40 NC2=7 600+2 NC_1 = 40\,N \qquad C_2 = 7\,600 + 2\,NC1​=40NC2​=7600+2N
  2. 02Igualar para achar o ponto crítico

    40·N = 7 600 + 2·N ⟹ 38·N = 7 600 ⟹ N* = 200 peças.

    N∗=7 60040−2=200N^{*} = \dfrac{7\,600}{40 - 2} = 200N∗=40−27600​=200
  3. 03Interpretar o ponto crítico

    Até 200 peças compensa a produção artesanal; acima de 200 peças a injeção é mais económica.

  4. 04Comparar os custos para N = 1 000

    Artesanal: 40 × 1 000 = 40 000 €. Injeção: 7 600 + 2 × 1 000 = 9 600 €. A injeção poupa 30 400 €.

    C2=7 600+2×1000=9 600 EURC_2 = 7\,600 + 2\times 1000 = 9\,600\ \text{EUR}C2​=7600+2×1000=9600 EUR
  5. 05Custo unitário da injeção

    9 600 € ÷ 1 000 = 9,60 € por peça, muito abaixo dos 40 € da produção artesanal — é a economia de escala.

    9 6001000=9,60 EUR/pec¸a\dfrac{9\,600}{1000} = 9{,}60\ \text{EUR/peça}10009600​=9,60 EUR/pec¸​a

Resultado: (a) N* = 200 peças; (b) para 1 000 peças, injeção = 9 600 € (9,60 €/peça) contra 40 000 € da produção artesanal.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir produção artesanal, em série e em massa quanto a volume, ferramentas, custo unitário e flexibilidade, e relacionar a escolha do modo de produção com a tiragem prevista.
  • Analisar a viabilidade económica da passagem à série, estimando o custo total (C = F + c·N) e o ponto crítico (break-even) entre dois modos de produção.

Erros frequentes

  • Confundir protótipo com maqueta ou modelo. Correção: a maqueta estuda forma/volume à escala, o modelo mostra a aparência final e o protótipo é funcional e testa o produto.
  • Assumir que a produção em massa é sempre mais barata. Correção: só compensa acima do ponto crítico N*; para tiragens pequenas, o elevado investimento em moldes torna a produção em massa mais cara por peça do que a artesanal.
  • Ignorar a componente fixa no cálculo do custo. Correção: o custo unitário inclui a diluição dos custos fixos (C/N = F/N + c); esquecer F subestima o custo das séries pequenas.

§ 04

Revisão ativa

Uma peça pode ser feita à mão a 45 €/unidade ou por injeção, com um molde de 12 000 € e 3 €/unidade. Calcula o ponto crítico N* e indica, para uma tiragem de 400 unidades, qual o modo mais económico e o custo unitário correspondente.

Praticar com exercícios relacionados5 perguntas sobre este tema→

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

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Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01O que é o design industrial e o design de produto○
    • 02O processo de desenvolvimento de produto◐
    • 03Requisitos: função, forma, ergonomia, economia e ambiente◐
    • 04Do protótipo à produção em série●

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Dos resumos à prática

Design industrial e desenvolvimento de produtos

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Materiais e Tecnologias — 12.º ano

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