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A historiografia latina não era um registo neutro do passado, mas uma escola de virtude cívica: a história como «mestra da vida». Tito Lívio (59 a.C.–17 d.C.), contemporâneo de Augusto, deu-lhe a sua obra-prima, a Ab Urbe Condita — uma história de Roma das origens lendárias ao seu tempo, feita de exempla que exaltam as antigas virtudes romanas e glorificam a grandeza da cidade. Latim B é uma disciplina de avaliação interna (sem Exame Final Nacional): este resumo prepara a análise e o comentário, não uma prova nacional.
4 secções~16 min de leitura4 competências
nível básico
Reconhecer a função moral da historiografia latina e caracterizar Tito Lívio e a Ab Urbe Condita nas suas linhas essenciais.
nível avançado
Comentar a praefatio e os exempla e relacionar, de forma equilibrada, a obra de Tito Lívio com o programa augustano de glorificação de Roma.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão · Entrelinha: Compacto
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4 secções8 pontos-chave0 fórmulas11 erros típicos
A tradição historiográfica romana
A história como mestra da vida
Explica a origem e o sentido da expressão «historia magistra uitae» e relaciona-a com a função da historiografia latina.
«historia magistra uitae» traduz-se «a história [é] mestra da vida»: uitae é o genitivo de uita («vida»), complemento de magistra («mestra»).
A fórmula é de origem ciceroniana (De Oratore), onde Cícero enumera as funções da história: testemunha dos tempos, luz da verdade, mestra da vida.
Afirma que o conhecimento do passado forma moral e civicamente o presente: os feitos dos antepassados são lições de conduta.
Essa função realiza-se pela doutrina dos exempla: modelos a imitar (a virtude) ou a evitar (o vício), que a história põe diante dos olhos do leitor.
Resultado: «Historia magistra uitae» («a história, mestra da vida»), fórmula ciceroniana, exprime a função moral da historiografia latina: através dos exempla, o passado ensina o presente a distinguir a virtude do vício — é esta conceção que anima a obra de Tito Lívio.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, por palavras tuas, o sentido da expressão «historia magistra uitae» e mostra como a doutrina dos exempla concretiza essa função da história.
Praticar com exercícios relacionados5 perguntas sobre este tema
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Cultura e literatura: a historiografia latina) (Direção-Geral da Educação (DGE))
De 753 a.C. a Tito Lívio e Augusto
A estrutura da Ab Urbe Condita
Sabendo que a Ab Urbe Condita tinha 142 livros, dos quais se conservam os livros I–X e XXI–XLV, calcula quantos se conservam e quantos se perderam, e diz como conhecemos os perdidos.
Livros I–X: 10 livros. Livros XXI–XLV: de 21 a 45, ou seja, 25 livros. Total conservado: 10 + 25 = 35 livros.
Do total de 142 subtraem-se os 35 conservados: 142 − 35 = 107 livros perdidos.
Do conteúdo dos livros perdidos temos notícia pelas Periochae, resumos antigos que sobreviveram para quase todos os livros.
Resultado: Conservam-se 35 livros (10 + 25) e perderam-se 107 dos 142; o conteúdo destes últimos conhece-se sobretudo pelas Periochae, os resumos antigos da obra.
Erros frequentes
Revisão ativa
A partir do dado «142 livros, dos quais 35 conservados (I–X e XXI–XLV)», indica quantos livros se perderam e explica como conhecemos hoje o conteúdo dos livros perdidos.
Praticar com exercícios relacionados5 perguntas sobre este tema
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Tito Lívio e a Ab Urbe Condita) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Exempla e virtudes romanas
Comenta a passagem «inde tibi tuaeque rei publicae quod imitere capias, inde foedum inceptu foedum exitu quod uites», explicando a intenção moralizante de Tito Lívio.
«Daí podes colher, para ti e para o teu Estado, o que hás de imitar; daí [também] o que hás de evitar, vergonhoso no início e vergonhoso no fim.» (uites, com u = «evites».)
A frase opõe dois modelos: os que se devem imitar (a virtude) e os que se devem evitar (o vício, «vergonhoso no início e no fim»).
«tibi tuaeque rei publicae»: a lição vale para o indivíduo e para o Estado — a história forma o cidadão e a comunidade.
A história é, para Lívio, uma escola moral: oferece exempla que ensinam a distinguir e a escolher — é a função de «magistra uitae».
Resultado: A passagem exprime a doutrina dos exempla: a história põe diante do leitor modelos a imitar e a evitar, formando moralmente o indivíduo e o Estado — eis a intenção moralizante que estrutura toda a Ab Urbe Condita.
Erros frequentes
Revisão ativa
Lê a passagem da praefatio sobre os exempla («… quod imitere capias … quod uites») e explica os dois tipos de modelos que Tito Lívio propõe ao leitor, ilustrando cada um com um episódio da obra.
Praticar com exercícios relacionados5 perguntas sobre este tema
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (Método analístico e intenção moralizante) (Direção-Geral da Educação (DGE))
A obra e o programa augustano
Explica, num breve comentário, por que a Ab Urbe Condita se integra no clima augustano de glorificação de Roma, partindo do relato das origens.
Augusto apresenta-se como restaurador da paz, da religião e do mos maiorum (os antigos costumes), depois das guerras civis.
A galeria de exempla de Lívio exalta precisamente as antigas virtudes — uirtus, fides, pietas —, propondo o passado como norma do presente.
Ao narrar Eneias e Rómulo, Lívio dá dignidade histórica ao mito de que a gens Iulia de Augusto se reclamava (descendência de Eneias e de Vénus).
Contudo, Lívio não era do círculo de Mecenas nem propagandista: celebra Roma por convicção moral própria (a anedota do «pompeiano»).
Resultado: A Ab Urbe Condita integra-se no clima augustano — exalta as virtudes que Augusto dizia restaurar e enobrece as origens de que a sua casa se reclamava —, mas fá-lo por convicção moral e patriótica, e não como simples propaganda: é literatura, lição e monumento a Roma.
Erros frequentes
Revisão ativa
Relaciona a narração das origens de Roma (Eneias, Rómulo) com o programa ideológico de Augusto, explicando por que a Ab Urbe Condita servia a glorificação de Roma — e por que não deve, ainda assim, ser lida como simples propaganda.
Praticar com exercícios relacionados5 perguntas sobre este tema
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Latim B — 12.º ano (A glorificação de Roma e o clima augustano) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Versão completa através do nível de profundidade — mesmo lugar, mesmas âncoras
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)